Como Criar um Orçamento Pessoal?
Para criar um orçamento pessoal, segue estes 5 passos: 1) calcula os rendimentos líquidos, 2) lista as despesas fixas, 3) estima as despesas variáveis, 4) define metas de poupança com a regra 50/30/20, e 5) revê e ajusta mensalmente.
Um orçamento é a ferramenta mais eficaz para tomar o controlo das tuas finanças — permite-te saber exatamente para onde vai cada euro. Segundo dados recentes, 67% dos portugueses não têm um orçamento definido, e é precisamente por isso que tantas famílias chegam ao fim do mês sem saber onde foi o dinheiro.
Quem não sabe para onde vai o dinheiro nunca vai ter o suficiente. O orçamento não é uma restrição — é um mapa.
Os 5 Passos para Criar o Teu Orçamento
Passo 1: Calcula os Teus Rendimentos Líquidos
Lista todos os rendimentos mensais após impostos:
- Salário líquido
- Rendimentos extra (freelance, part-time, investimentos)
- Subsídios ou outros apoios recorrentes
Dica: Usa sempre o valor líquido (após IRS e Segurança Social). Se tens rendimentos variáveis, usa a média dos últimos 3 a 6 meses.
Passo 2: Lista as Despesas Fixas
Identifica gastos que se repetem todos os meses com valor previsível:
- Renda ou prestação da casa
- Seguros (saúde, automóvel, vida)
- Subscrições (Netflix, Spotify, ginásio)
- Telecomunicações (internet, telemóvel)
- Transportes (passe, combustível, portagens)
Passo 3: Estima as Despesas Variáveis
Estes são os gastos que podes controlar mais facilmente:
- Alimentação e supermercado
- Lazer e entretenimento
- Restaurantes e cafés
- Compras diversas (roupa, eletrónica)
- Cuidados pessoais
Dica: Revê os extratos dos últimos 3 meses para teres uma base realista. A maioria das pessoas subestima os gastos variáveis em 20 a 30%.
Passo 4: Define Metas de Poupança
A regra 50/30/20 é um bom ponto de partida:
- 50% para necessidades (renda, alimentação, contas)
- 30% para desejos (lazer, restaurantes, compras)
- 20% para poupança e investimento
Ajusta conforme a tua realidade. Em Portugal, com o custo de habitação a absorver frequentemente mais de 35% do rendimento, a divisão pode precisar de ajustes — e tudo bem. O importante é que exista uma meta de poupança, mesmo que comece nos 10%.
Passo 5: Revê e Ajusta Mensalmente
Um orçamento não é um documento estático — é uma ferramenta viva. Todos os meses:
- Compara o que planeaste com o que gastaste
- Identifica onde ultrapassaste os limites
- Ajusta categorias se necessário
- Celebra os progressos (a motivação importa)
O orçamento perfeito não existe ao primeiro mês. Existe ao terceiro, quando já conheces os teus padrões e os ajustas com inteligência.
Erros Comuns que Sabotam o Orçamento
Criar o orçamento é o primeiro passo. Mantê-lo é o desafio. Evita estes erros:
- Ser demasiado restritivo: Um orçamento que não inclui lazer é um orçamento que vais abandonar. Sê realista.
- Esquecer despesas anuais: Seguros, IMI, IUC, manutenção do carro. Divide o valor anual por 12 e inclui no orçamento mensal.
- Não registar pequenos gastos: Cafés, snacks, compras por impulso. Parecem irrelevantes, mas podem somar €100-200/mês.
- Desistir após um mês mau: Todos os meses têm imprevistos. Um mês acima do orçamento não é um fracasso — é informação para ajustar.
Ferramentas para Gerir o Orçamento
A melhor ferramenta é aquela que usas consistentemente:
- Caderno e caneta: Simples, sem distrações. Funciona para quem prefere o analógico.
- Folha de cálculo: Excel ou Google Sheets dão total personalização. Requerem mais esforço inicial.
- Apps de gestão financeira: A forma mais visual e rápida. Procura apps que respeitem a tua privacidade e te dêem controlo manual.
O mais importante não é a ferramenta — é o hábito. Dedica 10 minutos por semana a registar e rever. Com consistência, os resultados aparecem em poucas semanas.
Conclusão
Criar um orçamento é o primeiro passo para dominar as tuas finanças. Não precisa de ser perfeito — precisa de existir. Os 5 passos acima dão-te uma estrutura sólida para começar, e o tempo vai encarregar-se de a refinar.
O segredo está na consistência: quem revê o orçamento todos os meses poupa em média mais 15 a 20% do que quem não o faz. Começa hoje, mesmo que simples.
A Caravel é um instrumento de navegação e suporte à decisão. Todo o conteúdo é meramente informativo e não constitui aconselhamento financeiro ou recomendação de investimento.
